
Ordem executiva emitida por Biden quer simplificar pedidos de visto para estrangeiros que desejam trabalhar, estudar ou realizar pesquisas relacionadas à IA e outras tecnologias emergentes nos EUA
Em um primeiro esforço para regulamentar o uso da inteligência artificial, o presidente americano Joe Biden emitiu, em 30 de outubro, uma ordem executiva instruindo as agências federais a se envolverem em iniciativas relacionadas à segurança, inovação e avanço da tecnologia no país.
Dentre os oito principais pontos abordados no documento, que foi definido pelo vice-chefe de gabinete da Casa Branca como "o conjunto mais robusto de ações que qualquer governo no mundo já tomou em relação à segurança e confiabilidade da IA", estão o estabelecimento de novos padrões de segurança e proteção para a IA no território americano e a criação de diretrizes para a proteção geral dos consumidores.
Mas os norte-americanos não serão os únicos beneficiados pelas medidas propostas pelo governo. Isso porque, reconhecendo o papel significativo de imigrantes e estudantes internacionais no desenvolvimento da IA nos EUA, a ordem também traz um extenso conjunto de diretrizes para que as agências de imigração considerem novas formas de atrair e reter trabalhadores estrangeiros com domínio da IA no país.
Para cumprir as disposições relacionadas à imigração, o Departamento de Estado (DOS) e o Departamento de Segurança Interna (DHS) devem simplificar os tempos de processamento e facilitar a disponibilidade contínua de marcações de vistos para requerentes com experiência em IA ou outras tecnologias emergentes que desejem entrar no país para trabalhar, estudar ou realizar pesquisas na área. Em outras palavras: estudantes, pesquisadores e profissionais de IA podem ter o visto americano facilitado em um futuro próximo.
“A possibilidade de imigração para profissionais de tecnologia sempre foi mais abundante e, com o rápido crescimento da Inteligência Artificial, não nos surpreende que o governo norte-americano tenha saído na vanguarda dessa iniciativa.
Os Estados Unidos entendem que a IA terá um grande impacto cultural e econômico e, por isso, se adianta em garantir que terá mão de obra qualificada para lidar com a questão”, analisa Gustavo Kanashiro, diretor de imigração da Fragomen, maior e mais antiga empresa de imigração do mundo, com presença em mais de 170 países.
O especialista lembra que a ordem executiva dá 90 dias para que os órgãos se adaptem e atendam ao pedido do presidente – e acredita que os benefícios trazidos por ela sejam semelhantes aos que já são oferecidos para profissionais de STEM (em português, Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
“Ainda não sabemos se haverá um novo visto criado para atender esta categoria, mas acreditamos que esses profissionais sejam incluídos nos processos que os outros profissionais de ciência, tecnologia, engenharia e matemática já se beneficiam. O país cria critérios específicos para que eles consigam autorizações de estudo, trabalho e residência de forma a garantir o desenvolvimento dessas áreas”, diz.